A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, órgão ligado a Universidade de São Paulo, realizou a mais ampla pesquisa já feita sobre o mercado imobiliário brasileiro.Os técnicos da Fipe analisaram os preços de imóveis em 40 cidades mais o Distrito Federal que, juntos contaram com 50 milhões de pessoas e representam um quarto da população brasileira.Trata-se de um esforço inédito no país para conhecer a realidade de um dos setores mais importantes de qualquer economia.
No seu conjunto, a pesquisa mostra um vigor impressionante do mercado brasileiro.Nos 12 meses encerrados em março, a alta média dos imóveis foi de 23%, a segunda maior do mundo - só perdemos para a Índia.
Mas a observação mais importante diga respeito aos últimos seis meses.Fica claro que o ritmo louco de valorização parece estar perdendo fôlego de 8,4%, número ainda robusto, mas bem menor que os 13,5% do mesmo período um ano antes.
Quanto a ideia de 'nova era1 passou a permear a imaginação das pessoas, os preços dos imóveis ficaram fora de controle.Agora essa escalada parece perder a força-diz Robert Shiller, professor de economia da Universidade Yale e uma das maiores autoridades mundiais no assunto.
A percepção de que os preços estavam num ritmo insustentável, liada às incertezas do mercado internacional, fez com que o consumidor brasileiro começasse a demorar mais tempo para fechar uma compra.Se há dois anos em São Paulo vendiam-se empreendimentos inteiros em um único final de semana, agora leva-se em média dois meses para desovar os lançamentos."Não há mais desespero.Os consumidores têm analisado cada projeto com calma", diz Mirella Correa, sócia da imobiliária Lopes.O número de unidades financiadas em todo o país no primeiro trimestre deste ano caiu 1% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança.É a primeira reversão no ritmo nos últimos dez anos.Essa desaceleração está sendo sentida nas incorporadoras.Em 2010, a velocidade de vendas em nove capitais do pais foi de 15%, ou seja, de cada 100 imóveis disponíveis para a venda no mês, 15 foram negociados.
Nos primeiro três meses de 2012, esse porcentual foi de 10,4%."O setor é muito é muito sensível à percepção de preços", diz Fábio Nogueira, presidente da Brazilian Mortgages, a maior companhia hipotecária do país."Quando eles sobem muito, as pessoas tendem a esperar que caiam para comprar".
Continuarei...No próximo assunto...o detalhamento dos valores de imóveis novos e usados em mais de 1000 bairros analisados.
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